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A FEIRA DE PENUDE - Isidro Pereira Lamelas
 

Os mais idosos ainda se lembram da feira de Penude que costumava ter lugar nas leiras junto ao cemitério. Esta feira fora criada em 27 de Janeiro de 1876. Previa-se que fosse uma feira mensal, a realizar-se no dia 4 e no lugar de S. Sebastião (junto ao cemitério) para gado bovino, cavalar, muar, lanígero, caprino e suíno. A criação desta feira vinha ao encontro das necessidades das gentes de Penude e arredores para as quais a criação e comercialização deste tipo de gado era importante. Esta feira depressa entrou em decadência, acabando mesmo por se extinguir, em grande parte devido à abertura do mercado mensal de Lamego, criado cinco anos mais tarde.

Há uns anos a esta parte, assistiu-se a uma tentativa de restaurar a feira de Penude, no mesmo local, mas com periodicidade anual. Os tempos são, contudo, outros e não será

fácil fazer vingar esta tentativa de recuperação de uma feira que fora criada com tão ambiciosos propósitos.

ARTESANATO - Isidro Pereira Lamelas
 

Mantas de farrapos:

Descrição do traje tradicional domingueiro das gentes de Penude (até começo do século XX)

Ilustração 1 - Baú onde se guardavam as roupas

Traje masculino:

Casaco curto com presilhas e botões de madrepérola ou outro material menos nobre.

Calças grossas, às vezes de serrobeco, apertadas por faixas orladas de borlas.

Tamancos de madeira, ferrados com pneu e protegidas com biqueira de lata para os trabalhos do campo.

Traje feminino:

Saia de merino a roçar o peito do pé, muito rodadas e enfeitadas com barrão de veludo.

Casaquinho muito curto por cima da cinta, com folhos caprichosamente trabalhados, por onde espreitava a camisa de linho fino e alvo.

A camisa apresenta-se, por vezes guarnecida de folhinhos largos também em linho ou em renda e cambraia.

Colete preto para as festas.

Lenço branco na cabeça, rendado nas pontas ou nos cantos com bordados.

As moças namoradeiras:

Preferiam trajes coloridos, em verde vivo ou azul ferrete.

casaquinho fechado muito cintado, caindo com abas bem talhadas em roda por cima da anca.

Em vez do decote preferiam usar uma espécie de peitilhos bordados.

Calçadas com soquinhos de verniz.

As mulheres mais idosas:

Capa de pano preto da lã dos rebanhos caseiros, com fitas de veludo e bordados a vidrilhos e a missangas.

Avental de seriguilha, em caso de não haver luto, podia ser também ornado a cores.

Casa típica (antiga) de Penude - Isidro Pereira Lamelas

Composta geralmente de um rés-do-chão e primeiro piso. O piso térreo servia para alojar os animais que aqueciam o soalho da casa; mas era também nesse piso que se situavam as "lojas de limpo" para guardar a salgadeira e os frutos das colheitas: batata, cereais, o vinho, azeitonas e azeite. Habitualmente, estas lojas localizadas ao nível da eira, eram precedidas de um quinteiro ou varanda, onde se guardava o carro das vacas e outras alfaias agrícolas.

Construídas com grossos muros de granito regional, torças de janelas às vezes arqueadas ladeadas de mainéis para os vasos de manjericos e cravos. Junto às janelas, eram frequentes os poiais que serviam de assento e convidavam ao merecido o descanso nas longas noites de verão, depois de uma jornada de duro moirejar, a ouvir os grilos e os ralos. Salas de tectos planos ou, nalguns casos, apainelados em pirâmide, rodeados de um friso.

A casa de banho ou retrete era geralmente um alçapão que abria para uma das lojas dos animais. Em muitos casos, nem este expediente

existia, pelo que as necessidades maiores eram resolvidas nos espaços mais discretos dos campos vizinhos.

A Cozinha, sem chaminé, reunia num mesmo espaço a lareira em forma de nicho coberto pela pilheira (sob a qual se juntava a cinza que viria a ser aproveitada para fertilizar e purgar o quintal), o forno, e o caniço, cobertura a poucos centímetros das cabeças, onde se secavam as castanhas e se dependurava o fumeiro.

A eira fazia geralmente parte da casa: era um espaço aberto, muitas vezes comum, onde se malhavam os cereais e se juntava a lenha de giesta com a qual se acendia o lume e defumavam os enchidos.

 

Os penudenses foram sempre amigos tanto das rezas e desobrigas, como dos trabalhos. Mas também foram ficando conhecidos por associarem facilmente serões e divertimentos a barulhos e zaragatas. Penude era, no passado, uma das freguesias que mais trabalho e dinheiro dava a advogados e tribunais. O penudense gosta, de facto, de mostrar valentia e virilidade, recorrendo, nem sempre, aos melhores meios. Não era raro um serão, arraial ou espectáculo no salão paroquial acabar em zaragata. Tal comportamento revela sobretudo alguma falta de sociabilidade e cultura que não foram facultadas às nossas gentes, devido sobretudo ao isolamento e esquecimento a que foram votadas. Se tivermos presente que, por exemplo, a electricidade só chegou a Penude em 1963, poderemos fazer uma ideia do porquê desse comportamentos mais próprios da idade das trevas que da era da luz.

 
 
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