O Pe. Manuel
Rodrigues Borges marcou a vida da freguesia de Penude durante os
longos anos em que nela foi pároco. Só o seu temperamento pouco
afável e personalidade indomável podem explicar o "esquecimento" que
os seus paroquianos lhe têm votado, já que a sua obra não merecia
tal indiferença. Na verdade, o Pe. Borges veio de Fazamões, sua
terra natal, para Penude para imprimir uma nova vitalidade pastoral
e espiritual à nossa
terra. Foi
sobretudo um pastor totalmente dedicado ao seu rebanho que levava o
zelo, muitas vezes, a níveis que nem sempre foram compreendidos ou
poderiam sê-lo. A verdade é que se empenhou a fundo na renovação da
catequese, e da formação dos adultos, apostando na criação e
promoção de movimentos como a Cruzada eucarística, a Acção Católica,
diversas confrarias e irmandades, como a Liga Eucarística. O zeloso
pároco não poupou esforços, até ao último momento da sua vida, na
catequização e promoção da piedade e cultura cristãs, nomeadamente
através da sua pregação – ministério que exercia com reconhecido
talento e paixão – ou convidando frequentemente outros afamados
pregadores.
Não posso deixar de terminar
esta singela evocação com um cunho pessoal. Fui o seu último
sacristão, e o seu testemunho de vida e de pastor, totalmente doado
aos outros sem nada requerer para si, não deixou de influenciar o
meu percurso pessoal. Tive a sorte de acompanhar os últimos anos e
horas da vida deste sacerdote, e pude testemunhar como trabalhou até
à hora da sua despedida desta terra dando-se todo e a tempo inteiro
aos seus paroquianos com os quais não teve sempre fácil relação, mas
nos quais acabou por deixar uma marca forte e, no seu todo, bem
positiva.